Vitaminas & Minerais 14 de agosto de 2026

Vitamina K2: MK-7 ou MK-4? A diferença que o rótulo esconde

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Por Malu Novelli

Farmacêutica pela USP

Duas rotas visuais representam os perfis de vitamina K2 MK-4 e MK-7

90 µg de MK-7 e 45 mg de MK-4 parecem números da mesma vizinhança. Não são. Quarenta e cinco miligramas equivalem a 45.000 microgramas — quinhentas vezes 90 µg.

Essa conta derruba a comparação preguiçosa de “qual K2 é melhor?”. MK-4 e MK-7 não são versões premium e básica da mesma coisa. São formas com perfis, doses de pesquisa e rotinas diferentes. Quem esconde a unidade está vendendo nome de molécula. Quem abre forma e dose está vendendo uma decisão verificável.

MK-7 não é MK-4 com três pontos a mais

O “MK” vem de menaquinona, a família conhecida como vitamina K2. O número indica quantas unidades isoprenoides aparecem na cadeia lateral da molécula. Não é nota, geração nem ranking de qualidade.

  • MK-4 tem uma cadeia lateral mais curta.
  • MK-7 tem uma cadeia mais longa.

Essa arquitetura muda o comportamento no organismo. Uma revisão sobre a estrutura das formas de vitamina K descreve que K1 e MK-4 permanecem menos tempo detectáveis no plasma, enquanto menaquinonas de cadeia longa podem ser detectadas por mais tempo.

O famoso estudo de Leon Schurgers e colegas mostrou que a MK-7 derivada de natto teve meia-vida longa, níveis séricos mais estáveis e maior acúmulo com uso repetido. A comparação direta ali foi K1 versus MK-7. O insight de compra continua poderoso: a cadeia longa dá à MK-7 um perfil especialmente compatível com doses diárias em microgramas.

Infográfico compara MK-4 e MK-7 e destaca que forma não é dose

O truque está na unidade: microgramas versus miligramas

Antes de escolher uma forma, coloque todas as doses na mesma régua:

Dose impressaDose convertida
45 µg0,045 mg
90 µg0,09 mg
180 µg0,18 mg
1,5 mg1.500 µg
45 mg45.000 µg

A literatura de MK-7 costuma trabalhar em microgramas. Em um ensaio duplo-cego de dose, 100 e 200 µg por dia de MK-7 melhoraram marcadores de carboxilação da osteocalcina. Em outro estudo de três anos, 180 µg diários melhoraram o status de vitamina K e alguns desfechos ósseos em mulheres após a menopausa.

Já a MK-4 tem uma tradição clínica em miligramas. Um ensaio japonês de osteoporose estudou 45 mg de MK-4 por dia. Há também pesquisa com 1,5 mg por dia e mudança em marcador de carboxilação.

Isso mata dois mitos de uma vez:

  1. MK-4 não é uma forma “ruim”. Ela tem pesquisa clínica séria.
  2. Copiar a dose de uma forma para outra é uma comparação sem inteligência farmacológica.

Forma sem dose é decoração de rótulo. Dose sem unidade é truque.

O que a vitamina K realmente faz

Vitamina K atua como cofator na carboxilação de proteínas. Em português: ajuda certas proteínas a assumirem a configuração necessária para funcionar.

Entre elas estão proteínas da coagulação, a osteocalcina no tecido ósseo e a matrix Gla protein em tecidos vasculares. É por isso que os estudos acompanham marcadores como osteocalcina subcarboxilada e dp-ucMGP.

A palavra importante é “marcador”. Melhorar a carboxilação mostra atividade biológica real. O resultado final depende da população, do tempo e do desfecho medido. Um ensaio com 375 µg de MK-7 por três anos melhorou a carboxilação da osteocalcina, mas não acrescentou ganho de densidade mineral óssea nos locais avaliados. Já um ensaio publicado em 2026 acompanhou 180 pessoas com doença coronariana sintomática: 360 µg de MK-7 por dois anos atenuaram a progressão do cálcio coronariano. É uma pista clínica relevante numa população específica; a pergunta sobre infarto, mortalidade e outros desfechos ainda exige um estudo maior.

O comprador inteligente não joga o ingrediente fora por causa disso. Ele para de exigir que um micronutriente faça o papel de milagre. A boa promessa da K2 é uma forma declarada, uma dose inteligível e uma rotina coerente — não a fantasia de “mandar cálcio para o lugar certo” como um GPS molecular.

Então qual escolher: MK-7 ou MK-4?

Para uma rotina nutricional diária em dose de microgramas, a MK-7 costuma ser a escolha mais lógica: sua persistência combina com uso contínuo e é justamente nessa escala que existe um corpo relevante de pesquisa humana.

MK-4 entra em outro jogo. Ela aparece em protocolos clínicos e em suplementos com doses que podem ir de miligramas a dezenas de miligramas. Avaliar uma MK-4 de 45 µg usando um estudo de 45 mg seria transportar a autoridade do artigo e abandonar 99,9% da dose no caminho.

Use esta regra:

  • rotina diária em microgramas: procure forma declarada, dose diária e consistência;
  • protocolo em miligramas: trate como uma decisão de contexto clínico, não como upgrade impulsivo;
  • rótulo que só diz “K2 premium”: passe reto até a marca abrir o nome e a quantidade.

Não existe troféu universal da melhor molécula. Existe o encaixe entre forma, dose, frequência e objetivo.

Três armadilhas de marketing que você já pode ignorar

“MK-7 é 100% superior”

Superior em quê: persistência, marcador, osso, evento cardiovascular, conveniência? Sem desfecho e dose, “superior” é só uma palavra cara.

“Natural” resolve tudo

MK-7 pode ser obtida por fermentação, inclusive do natto, e também produzida de outras maneiras. Um estudo cruzado comparou fontes sintética e fermentada de MK-7 em diferentes doses. Origem, isomeria, matriz e controle de qualidade importam. A palavra “natural” não substitui especificação.

“K2 é K2”

É a frase favorita de quem quer economizar espaço no rótulo. Se a forma muda o perfil e a dose de pesquisa, omitir a forma apaga justamente a informação que permite comparar.

Onde D3 e K2 entram na mesma rotina

D3 e K2 participam de sistemas diferentes que se encontram no metabolismo ósseo. A D3 ajuda a manter a disponibilidade de cálcio e fósforo; a vitamina K sustenta a ativação de proteínas dependentes de carboxilação. Uma meta-análise de ensaios com vitamina D e K combinadas encontrou sinais favoráveis em marcadores e alguns desfechos ósseos, com resultados dependentes de população e protocolo.

Para entender a parceria completa sem duplicar este comparativo, veja o guia sobre vitamina D3 com K2.

E se a dúvida começou no número da vitamina D, abra o raio-X de como ler um rótulo de vitamina D3.

Para transformar a leitura em rotina, use o guia de como tomar D3 + K2 e escolher o horário. Se a pergunta for segurança ou quantidade, vá direto para interações e contraindicações e para a escada da dose diária.

A D3+K2 da Nuture declara uma dose diária simples: duas gotas entregam 50 µg/2.000 UI de D3 e 65 µg de K2, em um frasco com 360 doses. É uma forma prática de tirar duas decisões da bancada e colocar uma rotina no calendário.

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Checklist de 30 segundos para comprar K2

1. A forma está escrita?

Procure MK-4 ou MK-7. “Vitamina K2” sozinha não fecha a conta.

2. A dose está em µg ou mg?

Converta antes de comparar. 1 mg = 1.000 µg.

3. O número é por cápsula, gota ou dose diária?

O tamanho da porção muda tudo.

4. A frequência combina com o perfil?

Uma dose diária simples costuma ganhar de uma rotina teoricamente perfeita e esquecida.

5. Existe anticoagulante na equação?

Vitamina K interfere no manejo de varfarina e medicamentos relacionados. Não faça mudanças bruscas; alinhe dose e constância com quem prescreveu o anticoagulante.

6. A marca abre a composição?

Nome, quantidade e modo de uso valem mais que “premium”, “bioativa” ou “de última geração”.

O melhor rótulo não escolhe por você. Ele entrega dados suficientes para você não ser escolhido pelo marketing.

Perguntas rápidas

MK-7 é melhor que MK-4?

Para uma rotina diária em microgramas, a persistência da MK-7 costuma torná-la mais prática. MK-4 tem pesquisa própria, frequentemente em doses de miligramas. “Melhor” depende de dose, frequência e objetivo.

45 mg de MK-4 equivalem a quantos microgramas?

45.000 µg. Multiplique miligramas por 1.000.

MK-4 e MK-7 fazem a mesma coisa?

Ambas pertencem à família K2 e participam da ativação de proteínas dependentes de vitamina K. Diferem em estrutura, permanência no organismo e protocolos estudados.

Quem usa anticoagulante pode tomar K2?

Quem usa varfarina ou anticoagulante antagonista da vitamina K precisa coordenar ingestão e estabilidade da vitamina K com o profissional responsável. O problema não é uma “lista de alimentos proibidos”; é alterar a ingestão sem ajustar o manejo.

Referências

  1. National Institutes of Health, Office of Dietary Supplements. “Vitamin K — Fact Sheet for Health Professionals.” NIH ODS. Acesso em 13 de agosto de 2026.
  2. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. “Ingredientes autorizados para uso em alimentos e suplementos.” Gov.br. Acesso em 13 de agosto de 2026.
  3. EFSA Panel on Dietetic Products, Nutrition and Allergies. “Dietary reference values for vitamin K.” EFSA Journal, 2017;15(5):4780.
  4. Schurgers, Leon J., et al. “Vitamin K-containing dietary supplements: comparison of synthetic vitamin K1 and natto-derived menaquinone-7.” Blood, 2007;109(8):3279–3283. PMID: 17158229.
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  8. Shiraki, Masataka, et al. “Vitamin K2 effectively prevents fractures and sustains lumbar bone mineral density in osteoporosis.” Journal of Bone and Mineral Research, 2000;15(3):515–521. PMID: 10750566.
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  15. Nuture. “Qual a dosagem da Vitamina D3 + K2?.” Central de Ajuda, atualizado em 31 de março de 2026.
  16. Nuture. “Daily Boost + D3K2.” Acesso em 13 de agosto de 2026.

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